Cordel da menina de hoje em dia
agosto 28, 2010
Fazia tempo que já lia poesia
Mas nunca tola em se arriscar a ter amor
E a menina que fingia que sorria
Achava tudo, tudo, tudo um horror
.
Se fosse fácil eu acho bem que ela fugia
E ia logo se casar com algum doutor
Mas no nordeste sem sertão que ela vivia
Seca não tinha, mas tinha dor
.
Ainda jovem desistiu de ter coragem
Fez do medo, logo cedo, um bom amigo
E aprendeu como usar a maquilagem
Para esquivar qualquer sinal de algum perigo
.
Os meninos que a menina conheceu
Achavam charme os mistérios da menina
Que não dançava nem quando tocava Alceu
E que nenhum sol fez menos albina
.
Mas com o tempo e os invernos que passavam
O sabor que tem a vida azedava
E enquanto todos se afastavam
Ela andava
.
Acostumou a conversar com a solidão
Assim entendeu quase tudo sobre a vida
E se a seca era problema no sertão
Aqui a seca era querida.
Adeus, mas como?
agosto 18, 2010
Eu acho bastante possível que as pessoas olhem para mim hoje e enxerguem apenas um monte de fumaça. É assim que eu me sinto, é isso que meu cinzeiro me diz, é esse o cheiro que eu sinto na minha blusa preta da Hering, gola V, com furos debaixo dos braços.
Eu acho mesmo bastante compreensível que ela e todos eles queiram evitar um monte de fumaça resmungão.
Mas veja que surpresa, eu olhei para frente, e lá longe vi a mim mesmo. Rodeado de gente humana. Cheguei perto pra ouvir o que eu mesmo dizia, mas não entendia nada, meu vocabulário não era suficiente. Ele, que era eu, se vestia bem e sorria. E por qual motivo essa visão não me assombrou?
Eu e meu corpo já não somos os companheiros de outrora. Enquanto ele, que era eu, estava sentado na sala da universidade, eu, que era ele, pensava em algum “mudo e invisível amor”. Enquanto ele enviava currículos e aprimorava habilidades, eu me aprimorava em ser um bom paquerador de mulheres, um bom “amigo de copo”. Enquanto ele corria na praia, eu comia chocolate debaixo do cobertor, e engordava.
Eu acho que me orgulho dele, mas depois de tantos anos sinto que não temos mais assunto nenhum.
Vai corpo, vive a tua vida sem minha alegria, que eu tento viver a minha sem seu dinheiro. Mas te aviso já, não se abuse em ser feliz sem mim, te busco e dou-lhe uma surra.
Parte 3 – Então manda brasa
agosto 2, 2010
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