Adeus, mas como?

agosto 18, 2010

Eu acho bastante possível que as pessoas olhem para mim hoje e enxerguem apenas um monte de fumaça. É assim que eu me sinto, é isso que meu cinzeiro me diz, é esse o cheiro que eu sinto na minha blusa preta da Hering, gola V, com furos debaixo dos braços.

Eu acho mesmo bastante compreensível que ela e todos eles queiram evitar um monte de fumaça resmungão.

Mas veja que surpresa, eu olhei para frente, e lá longe vi a mim mesmo. Rodeado de gente humana. Cheguei perto pra ouvir o que eu mesmo dizia, mas não entendia nada, meu vocabulário não era suficiente. Ele, que era eu, se vestia bem e sorria. E por qual motivo essa visão não me assombrou?

Eu e meu corpo já não somos os companheiros de outrora. Enquanto ele, que era eu, estava sentado na sala da universidade, eu, que era ele, pensava em algum “mudo e invisível amor”. Enquanto ele enviava currículos e aprimorava habilidades, eu me aprimorava em ser um bom paquerador de mulheres, um bom “amigo de copo”. Enquanto ele corria na praia, eu comia chocolate debaixo do cobertor, e engordava.

Eu acho que me orgulho dele, mas depois de tantos anos sinto que não temos mais assunto nenhum.

Vai corpo, vive a tua vida sem minha alegria, que eu tento viver a minha sem seu dinheiro. Mas te aviso já, não se abuse em ser feliz sem mim, te busco e dou-lhe uma surra.

4 Respostas para “Adeus, mas como?”

  1. australia disse

    quem dera fosse fácil, no final os 2 ou 3 são 1 mesmo. sendo vc eu gosto mais. apesar da mudez eu escrevo às vezes (metade delas pra vc).

  2. Ive Negrini disse

    não preciso dizer que gosto. escrever um comentário por aqui é ter necessidade de gritar: “eu gosto!!”
    do que escreve, da camiseta com o furo debaixo dos braços… do ‘mudo’, do que fala tudo.
    mas isso, você sabe, não é novidade, sempre nutri afeto pelo menino dos “não-s” e pelo outro dos “sim-s”
    sorrisos, incômodos críticos, pele avessa dum menino quaaase feliz…. olhares de camaleão,
    linda fabulação, quimera

  3. Sayd disse

    Nunca mais critico seu peso!
    Foi mal… aí!

  4. Sayd disse

    Nunca mais critico seu peso!
    Foi mal… aí!

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