Cordel da menina de hoje em dia
agosto 28, 2010
Fazia tempo que já lia poesia
Mas nunca tola em se arriscar a ter amor
E a menina que fingia que sorria
Achava tudo, tudo, tudo um horror
.
Se fosse fácil eu acho bem que ela fugia
E ia logo se casar com algum doutor
Mas no nordeste sem sertão que ela vivia
Seca não tinha, mas tinha dor
.
Ainda jovem desistiu de ter coragem
Fez do medo, logo cedo, um bom amigo
E aprendeu como usar a maquilagem
Para esquivar qualquer sinal de algum perigo
.
Os meninos que a menina conheceu
Achavam charme os mistérios da menina
Que não dançava nem quando tocava Alceu
E que nenhum sol fez menos albina
.
Mas com o tempo e os invernos que passavam
O sabor que tem a vida azedava
E enquanto todos se afastavam
Ela andava
.
Acostumou a conversar com a solidão
Assim entendeu quase tudo sobre a vida
E se a seca era problema no sertão
Aqui a seca era querida.