Sobre meus irmãos, a distância e a saudade
setembro 5, 2010
São três, e esse talvez possa parecer um número pequeno, mas dentro de um quarto, três se multiplica, se expande, se transforma em inumeráveis mundos possíveis.
Não foi correto, mas com o tempo e a convivência, era mesmo inevitável que eu, dono de um mundo tão pequeno e limitado, fosse me apropriando um pouco de cada um desses mundos. Fui ladrão das ideias e das formas matematicamente perfeitas que meus irmãos inventaram para viver.
Os três, e cada um individualmente, me ensinaram mais da metade do pouco que sei. E ao falar deles sinto a leveza de saber que tudo só pode soar como exagero, mas sem ser exagerado, e mesmo o exagero parece moderado.
Ninguém nunca vai conhece-los como eu, disso sinto um orgulho indescritível. Sinto-me ora pai, ora filho, e tantas vezes colecionador das suas manias.
Antes de começar o texto pensei em descrever alguns casos que vivemos dentro do quarto apertado no apartamento, onde se arranjavam dois beliches de metal, no canto, formando um L. Mas hoje me permito ser egoísta com as histórias, que não tem nada de secretas, mas que em segredo ganham vida.
E aí? Aí que num certo momento da vida o quarto aperta demais, fica pequeno pra tantos mundos. Aos poucos o mundo de cada um ganha chão, ganha outros corações, e foge pra longe. Cada um para o seu próprio quarto, com a sua própria cama, onde ninguém dorme em cima, nem do lado… uma imensidão de espaços vazios, mas mesmo assim tudo parece mais apertado agora. É assim que é a vida, não me oponho ao movimento natural das coisas. A maior parte do tempo, juro, me alegro. Acontece só que, vez ou outra, eu percebo que longe deles eu não passo de 25% de um todo.
E a vontade que me dá é só de ligar pra cada um deles, e dizer: “Tu sabe que é nós, né?”
Tô com preguiça agora, são 5 pras 5 e meus pés estão me matando.. mas amanhã quero falar com vc sobre isso e aquelas outras coisas. beijo.
ai,… que bonito isso,
fiquei bolado.