Até que um dia
setembro 27, 2010
Meus pais tinham um grupo de oração. Eu ia com eles até completar uns seis anos, ou mais. Durante as preces e rezas ele ficava ali no canto. No fim meu pai pegava e tocava algumas músicas, todas com os mesmos três acordes que me soavam construções harmônicas perfeitas. Todos cantavam, eu acordava nessa hora.
Quando não havia ninguém por perto, eu pegava para batucar, e batucava minhas melodias pouco sonoras e bastante emocionadas. Até que um dia de tanto batucar eu quebrei o violão.
A menina mal me conhecia, fazia parte de um lugar que eu freqüentava sem me lembrar o motivo. Enquanto ela passava e distribuía um sorriso falso que só enganava a ela e aos meninos mais tímidos, eu ficava no canto.
Um dia, numa curva maliciosa com aqueles que andam distraídos, topamos um com o outro. Ela elogiou minha barba, fingiu gostar de umas poesias que eu levava guardadas na mochila para enrolar menina boba e ficou sorrindo. Eu dormia. Algum tempo passou, ela disse, falou, contou, tagarelou “maporção” de coisas. Aí, creio eu que de forma despropositada, ela inventou de parar de sorrir. Eu acordei nessa hora. Cantei algumas canções e nada, nenhum sorrisinho falso. Até que um dia de tanto batucar eu quebrei a menina.
Quem mandou trocar o violão por uma menina? Era melhor ter trocado pela gaita… gaita não quebra só grita. (e sente saudade)